
Moves-te por entre as sombras
Assim, como um lobo camuflado se move
Por entre as densas planícies
Trazes no olhar o brilho que te absorve a fome
No dorso carregas a liberdade selvagem
Se estivesses comigo agora
Serias o pirilampo que ilumina a noite
E nas asas, trarias as gotas do orvalhar nocturno
Não mais quererias descansar, nessa toca ébria e com cheiro a mofo
Virias com o teu corpo magro, alimentar-te na minha mão
E darias lugar, a um sem fim de uivos saciados
Moves-te por entre as sombras
Porque és um animal “sagrado”
Idolatras a tua própria liberdade
E do selvagem, te tornas dócil e afável
...no cruzar dos nossos olhares.
(Lúcia Machado)