Já nada espera os teus olhos marejados
Cristalinos, ausentes do querer terreno
Levitas agora, para além do consciente
Flutuas entre real e o irreal
Nem os pensamentos se apoderam mais de ti
...o certo e o incerto
Não fazem mais sentido
Rasgado o corpo, lamenta o cair da noite
Imóvel e rígido
Toma de assalto o ar que respira
Nem a folhas meladas pelo vento
Rasgadas pela chuva
Calam o teu lamento
Não mais tem saudades de um tempo perdido
O ser comprime-se e contorce-se
A cada nota… a cada chorar da guitarra lamuriosa
…as mãos, calejadas…
O amparo das lágrimas que regam o coração
E nem as palavras ausentes do vento
Nem as flores meladas pela chuva
Calam o silencioso tormento
…do corpo inanimado, quebrado sobre o tempo
(Lúcia Machado)
