12/03/2010

Pensamentos soltos XI

Subi por entre as folhas que relatam a ténue memória. Sentei-me perto dum riacho e apenas bebi... os sons dos pássaros em acordes e palavras rasgadas. Deitei-me sobre o silêncio escondido, vislumbrei o verde sentir. Fechei os olhos e chegaram os dias mornos de Março. Rebolei no pensamento, dei por mim, a cantarolar ao compasso do passo do vento. De leve toquei no céu azul, tomei o gosto das nuvens feitas algodão. Costurei então, um vestido feito da copa das árvores, dancei ao som da orquestra do coração. Deslizei água abaixo, corri ao encontro dos peixes cor prata, provei o néctar servido pelas ninfas do Tejo. De volta ao prado, as folhas brancas da memória, deram lugar a uma história, que começava assim:

“Era uma vez, uma Garça Real…”



(Lúcia Machado)

2 comentários:

  1. Sublime... essa viagem da Garça Real entre sonhos, memórias onde tudo vale.

    Um Bjo
    Fatima

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  2. Nas asas do vento, trouxe-te um poema:

    "As palavras
    São como um cristal,
    as palavras.
    Algumas, um punhal,
    um incêndio.
    Outras,
    orvalho apenas...."
    Eugénio de Andrade

    Adorei visitar-te e de ler esta viagem.

    Parabéns pelo momento

    Luis

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Obrigada pela visita :-)