23/10/2009

Lamento

…não são apenas palavras, que chegam com o vento
Já nada espera os teus olhos marejados
Cristalinos, ausentes do querer terreno
Levitas agora, para além do consciente
Flutuas entre real e o irreal
Nem os pensamentos se apoderam mais de ti
...o certo e o incerto
Não fazem mais sentido
Rasgado o corpo, lamenta o cair da noite
Imóvel e rígido
Toma de assalto o ar que respira
Nem a folhas meladas pelo vento
Rasgadas pela chuva
Calam o teu lamento
Não mais tem saudades de um tempo perdido
O ser comprime-se e contorce-se
A cada nota… a cada chorar da guitarra lamuriosa
…as mãos, calejadas…
O amparo das lágrimas que regam o coração
E nem as palavras ausentes do vento
Nem as flores meladas pela chuva
Calam o silencioso tormento
…do corpo inanimado, quebrado sobre o tempo

(Lúcia Machado)

5 comentários:

  1. "Nem as folhas meladas pelo vento
    Rasgadas pela chuva
    Calam o teu lamento"
    Querida amiga Lúcia, achei o teu poema sublime.
    Bom fim de semana, beijos.

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  2. Gostei muito amor, para variar :P

    Amo-te tanto :$

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  3. Que os teus lamentos sejam de momentos sublimes como as palavras que aqui deixas-te.
    As tuas palavras...são um doce alento para continuar a ler-te.
    Parabéns!

    Bjo
    Fatima

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  4. Lúcia.

    Mais um momento digno de ti, que tão bem escreves.

    Mais um momento que te leio e que ficará no tempo.

    Num belo registo!

    O meu grande apreço por ti, é e será um sentimento de grande beleza...

    A minha Amizade por alguém que me habituou admirá-la e respeitá-la...

    Espero ainda viver para te poder homenagear como grande Escritora!

    Porque poetisa já o és!

    Um feliz fim de semana.

    Bjnhs do teu amigo ZezinhoMota

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  5. Querida amiga, passei para te desejar um óptimo fim de semana.
    Beijos.

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