29/09/2009

...deixas-te cair...
embriagada pelo odor da terra molhada
...sentes o reflexo da água cristalina, que corre margem abaixo...
fria, límpida, como um cristal transparente, nú e crú

...a brisa leva-te por onde sonhaste
outrora presa, apenas imaginavas os campos verdejantes
...agora menos distantes

Voas sem sentido, ou prisão que te impeça
assobias em ténue cumplicidade com o vento
Lavas o corpo empoeirado, por tantos dias de clausura
Agora sentes o doce sabor da liberdade

...sabes as cores quentes da estação que se avizinha
deixas-te cair...
sobre esse manto que te cobre de novos odores...

Folha foste...
...agora jaz o corpo na tua cama
que irá dar lugar ao alimento
Um dia, voltarás a nascer nas asas do vento



(Lúcia Machado)


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